"Um Lugar ao Sol" (2009), documentário por Gabriel Mascaro
O
documentário “Um Lugar ao Sol”, produzido, roteirizado e dirigido pelo cineasta
Gabriel Mascaro, retrata a realidade da influente população da classe alta
brasileira, focando nas pessoas que residem nas coberturas dos prédios de
algumas capitais do país. Com quase nenhuma intervenção do entrevistador, os
indivíduos comentam sobre suas vidas e sobre o que suas habitações representam
para eles, abordando a questão do conforto, já que a cobertura, com maior
espaço, se assemelha a uma casa, mas também proferem alguns discursos absurdos
que evidenciam o enorme abismo que existe entre a elite e as classes mais
baixas da sociedade. Alguns chegam a sentir desprezo – como a mulher que
afirmou gostar de ter um apartamento grande por não precisar ouvir a conversa de
suas empregadas domésticas -, indiferença – como a carioca que disse achar
interessante assistir trocas de tiro entre dois morros próximos – e outros
apenas demonstram pura arrogância – como o dono da casa noturna, que expôs “ter
dó de pobre que não tem uma Jaguar ou uma Mercedes”. Há, também, pensamentos
muito retrógados – quase medievais –, como a mãe e o filho que se consideram
superiores por morar em um local “mais próximo de Deus”. Esses relatos mostram
o quão alienados e desinteressados pela realidade do povo essas pessoas mais
ricas são, o que é muito preocupante, já que eles são os mais influentes dentro
do âmbito econômico e político do país. Chega a ser chocante ver como eles
tratam toda essa presunção com naturalidade, se fechando em suas bolhas sociais
e se recusando a entender o diferente, sendo completamente desrespeitosos e
ignorantes.
O
documentário, então, traz diversas reflexões interessantes: a disparidade
socioeconômica, a verticalização das cidades, a segregação, o espaço como identificador e
condicionante, a alienação, entre outras. Ele também expõe, paralelo às entrevistas, imagens que retratam tudo o que está sendo dito, como a cena em que pescadores são mostrados trabalhando arduamente, mas parece que a visão está em grande zoom, como se a captura do vídeo estivesse sendo feita bem longe da atividade. Importante ressaltar que mesmo com esses recursos, o filme não induz nenhuma opinião e deixa aberto para o espectador tirar suas próprias conclusões.

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