Roupa e arquitetura (II)
A
realidade é que a arquitetura e a moda são duas artes com incontáveis
semelhanças, chegando a se misturar em diversos aspectos. Para se fazer a
distinção, ligeiramente se recorre à diferença mais óbvia e aparente – a escala.
Ela é, talvez, o principal meio de diferenciação e também o ponto de partida de
todos os outros. A arquitetura como abrigo social, estática, mais permanente; a
moda como abrigo pessoal, dinâmica, mais efêmera; ambas como expressão
individual, identificadoras e condicionadoras sociais; estes foram alguns dos
tópicos discutidos na aula do dia 10/04. Percebe-se como a linha de separação
se estabelece em função dos tamanhos diferenciados: a arquitetura, maior, é
continente e abrigo de vivência, convívio e interação, por isso precisa ser
pensada para ser uma facilitadora nessas atividades. A roupa, menor, é a
unidade mínima de proteção do íntimo, da pele propriamente dita, e deve ser
idealizada para suprir tal necessidade. Além disso, as tendências temporais que
regem a concepção de espaços e vestimentas também trabalham em escalas muito
distintas – os primeiros, em função dos materiais e da intenção de permanência,
demoram mais tempo para se renovar. É comum retratar épocas pelo seu vestuário
típico devido à dinamicidade que essa arte possui, por ser em escala menor e
com materiais mais maleáveis, ela sempre está em mudança, se adaptando aos
costumes, às necessidades, aos preconceitos, aos padrões e aos gostos da
população em questão. Evidencia-se, então, a partir de inúmeras reflexões, que
a roupa é pensada para envolver corpos, mas a arquitetura os envolve junto ao
espaço. Devido a isso, há uma série de preocupações que essa segunda deve ter
que a primeira dispensa, como a interatividade das pessoas entre elas mesmas e
com o ambiente em si.
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