Evolução e crítica do objeto interativo programático com eletrônica

                Para a idealização do objeto interativo programático com uso da eletrônica, eu abandonei completamente a ideia anterior que era a partir da rede de objetos feita em sala de aula, mas o desenvolvimento desta pode ser visto aqui.
                Legenda: Em itálico, parágrafo de descrição. Em negrito, parágrafo de crítica.


Versão 1



                Buscando novas inspirações para idealizar o objeto, me deparei com uma música da banda britânica de rock alternativo “Coldplay”, chamada “Hurts Like Heaven”. A letra da música trabalha com a ideia de se libertar daquilo que te controla, da opressão, e o clipe sugere as cores como forma de revolta, expressão e liberdade. A partir disso, tive a ideia de um objeto que “se revoltasse” contra seu usuário toda vez que fosse estabelecida uma interação, além do uso expressivo de cores e luz.
                O objeto consiste de uma base com ramificações articuladas, estas compostas por LEDs coloridos e sensores/chaves que seriam circuitos em aberto. A pessoa que interage poderia ligar as ramificações entre si por meio dos fios que estão em suas extremidades, além de manipular os sensores e as chaves (alavanca, LDR, potenciômetro e botão). No centro, uma esfera de acrílico preenchida por líquidos coloridos imiscíveis sustentada por um motor de rotação, que teria um dos polos ligados a uma bateria e o outro polo estaria na cruz de metal na qual ela se encontra. A cruz eventualmente se conectaria aos pedacinhos de metal que se encontram nas conexões das ramificações com a base e fecharia circuitos caso as ações do usuário permitissem isso. Porém, toda vez que o circuito fechasse, os LEDs coloridos se acenderiam, a esfera giraria produzindo um efeito de cores dentro dela e a cruz giraria junto, mudando a forma como o próximo circuito se fecharia.
                O objeto, no entanto, ficou com uma interface dialógica muito complexa. O uso, em contrapartida, é meramente reativo. Apesar de ser a minha intenção dificultar a maneira como o objeto é utilizado, percebi por meio das críticas que limitei muito a interação por meio disso, além de deixá-la muito finalística – o usuário deve fazer isso para aquilo acontecer. Ademais, ele provavelmente perderia o interesse em interagir com muita facilidade, pois ficaria muito tempo fazendo tentativas sem nada acontecer ou nem saberia o que fazer. Também não pensei melhor em como o circuito poderia ser feito, talvez sendo necessário um Arduino para funcionar do jeito que foi proposto. Deixou muito a desejar no quesito interação pessoa-pessoa, que é quase nula. A forma de base com ramificações articuladas também não é satisfatória e é muito limitante, devendo ser repensada.
                Analisei as características desse protótipo para descobrir quais eu queria manter para fazer uma reformulação. Selecionei a inspiração na música e o jogo com cores, principalmente no formato de esfera com elementos coloridos em seu interior.




 Brainstorms entre a idealização da versão 1 e da versão 2



Versão 2


                Na versão 2, adicionei um novo elemento que será o ponto principal do objeto: o som. Consistindo-se de dois bastões interligados, o objeto seria uma composição de luz/cor e som simultânea. O croqui esquemático acima mostra seu funcionamento, mas explicando mais a fundo: as notas musicais (Dó, Ré, Mi...) são diferentes entre si por terem frequências distintas. A ideia é que cada bastão tenha as 7 notas básicas ou mais distribuídas aleatoriamente, e quando os dois se encostassem, cada um emitisse uma nota ao mesmo tempo, formando sempre um acorde de dois tons que poderia ser harmônico ou não. Além disso, cada nota estaria associada a uma cor, que seria lançada dentro da esfera de acrílico ao mesmo tempo em que ela é reproduzida. Então, vamos supor que o primeiro painel do primeiro bastão esteja associado a um dispositivo de som que emita a nota Fá e a um LED amarelo; e o primeiro painel do segundo bastão esteja associado a um dispositivo que emita a nota Ré e a um LED azul. Quando os dois painéis forem encostados, serão emitidos as notas Fá e Ré simultaneamente, além das cores nas respectivas esferas dos bastões. Esses dispositivos de som, a princípio, foram pensados como buzzers, mas o som irritante e a dificuldade de encontrar tais componentes que emitam frequências diferentes eram empecilhos consideráveis. Pensei, então, em usar o sistema de som encontrado em pianos de brinquedo infantis, que talvez possuam um som mais agradável e um circuito que seja mais fácil de trabalhar.

Protótipo de circuito que ilustra o funcionamento dos bastões, com LEDs no lugar dos dispositivos de som

                Esse projeto apresenta um potencial bem maior que o anterior. Seu uso talvez esteja um pouco finalístico demais, a programática se faz presente na questão da combinatória, que pode ser melhor explorada. A interface é bem reativa, a interação majoritariamente também, mas por depender da ação das pessoas entre elas e com o objeto, começa a surgir uma parte dialógica, que deve ser pensada pra ganhar mais força. Além disso, sucede melhor em promover interação entre pessoas do que o protótipo anterior, já que o outro era bem confuso e talvez pudesse ser utilizado por uma pessoa só. Possui uma estrutura muito rígida que talvez limite um pouco o modo como será utilizado. Não é nada flexível ou polivalente, evidenciando uma necessidade de buscar meios para abrir mais possibilidades para os usuários. 



Versão 3


                A versão 3 se insere na lógica da versão 4, sendo quase igual, com uma mudança essencial na estrutura. Ao invés de bastões, os dois elementos do objeto seriam dois canos flexíveis - mangueiras grossas - que poderiam ser dobráveis, mais maleáveis, permitindo com que notas diferentes fossem acionadas e aumentando esse potencial de combinatória. Foi um bom avanço, mas ainda era possível avançar mais, por isso essa ideia não durou muito tempo, surgindo logo em seguida a ideia da versão 4. 



Versão 4 - Final



                A versão 4 e versão final apresentada acrescentou um importante elemento que faz parte dos quatro "arquétipos" estabelecidos para o objeto, que constroem a sua intenção. Este elemento, o corpo, junto aos três pré-existentes - luz, cor e som - tem a intenção de promover livres composições à vontade dos usuários, brincando a ideia de combinação, movimento, musicalidade, entre outros. Apelidado de Mylo em homenagem à música que deu a inspiração inicial, ele consiste em dois pedaços cilíndricos de pano (como mangas compridas de uma blusa) nos quais ficam dispostos os painéis metálicos, cada um associado a uma nota do piano de brinquedo. Em uma das extremidades, um velcro para ajustar, e na outra, 3 leds coloridos que também acendem por meio de painéis, mas esses são diferentes dos designados para o som. Funcionou bem e pareceu durável, embora apresentasse uma fragilidade em relação às placas metálicas, que foram feitas de papel alumínio.

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