Seminário de Design de Interação




Boundary Functions

                A obra consiste em linhas projetadas sobre um painel no chão que dividem as pessoas que se movem sobre ele, sendo desenvolvida a partir de uma reflexão do artista sobre o espaço pessoal e sua relação com o público. O que achei relevante nesse projeto é como a simplicidade pode ser interessante, já que a interface não é tão complicada (composta por um projetor, um painel e um computador com um software que estabelece as linhas de divisão). Os usuários, por meio da instalação, são estimulados a brincar com o espaço e entre eles, observando o modo como as linhas se movem - de maneira totalmente reativa e causalística/finalística -, mas acaba criando uma interação em grande parte dialógica-programática entre pessoas, por depender das ações destas. A divisão de múltiplos indivíduos é feita pelo uso dos diagramas de Voronoy, que são encontrados na natureza e utilizados em diversos campos, mas é importante ressaltar que foram implantados como recurso e não foco principal da obra, tanto que a fruição não depende de seu entendimento. Snibbe, então, criou um ambiente virtual satisfatório, pois abre possibilidades para interação pessoa-pessoa e pessoa-objeto.



Infinito ao cubo
Leonardo Crescenti e Rejane Cantoni, 2007
http://www.cantoni-crescenti.com.br/infinite-cubed/


                É um enorme cubo espelhado nas faces de dentro e de fora, colocado sobre molas. As pessoas interagem entrando dentro dele, onde supostamente, pela ideia dos artistas, se instauraria um “ambiente infinito”, que causaria uma sensação de atordoamento. A obra possui uma interface completamente finalística, afinal, ela visa o cumprimento de certo objetivo, que é causar algum tipo de impacto naquele que interage. Analisando mais a fundo, a instalação não parece cumprir o que propõe, visto que se assemelha muito a um ambiente espelhado comum de um elevador ou uma casa de espelhos, presente em parques de diversão, que causa as sensações propostas com muito mais eficiência. As pessoas parecem se interessar mais no movimento do cubo com as molas – que era um uso também já programado por Cantoni e Crescenti, então não pode ser considerado inteiramente programático. A interação, então, é limitada e pobre, a virtualidade não se estabelece do jeito que era pretendido e o excesso de idealização claramente atrapalhou na confecção da obra, que não reflete as ponderações sugeridas.



Open Burble
Usman Haque, 2006


                Trata-se de uma instalação-performance que se compõe de uma estrutura de fibras de carbono e balões de gás hélio que é montada por vários indivíduos em conjunto, depois sendo erguida pelo enchimento dos balões. Pelo movimento na base, LEDs presentes nos balões se acendem numa onda de cores que viaja de baixo para cima, se espalhando por toda a estrutura. No início, como precisam construir a armação coletivamente, as pessoas são estimuladas a interagir entre elas, mas no final, o que se sobressai é a interação delas com a obra em si. Apesar disso, Haque não parece construir um ambiente virtual de sucesso, já que a estrutura se torna muito performática e focada na estética, sem riqueza na interatividade, principalmente em sua segunda parte. A programática está presente na maneira como os balões se articulam, pois ela depende de seus montadores, mas percebe-se um ligeiro padrão em colocar formas mais circulares e geometrizadas. A interface é altamente reativa e apenas serve para enaltecer o propósito "enfeite". A brincadeira com as cores, entretanto, parece interessante e tinha um potencial que poderia ter sido melhor trabalhado.

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