Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Exposição "Entre Nós: A Figura Humana no Acervo do MASP"
No dia 19 de
maio, visitei a exposição Entre Nós, cujo foco é colocar em evidência as
diferentes formas de representação da figura humana nas artes visuais ao longo
do tempo, em variadas localidades e períodos (Nigéria, Peru, Europa Medieval e
Renascentista, Brasil). Há, também, diversos estilos de época que são
facilmente reconhecidos, como barroco, impressionismo, cubismo, modernismo,
etc. A exposição foi dividida em cinco núcleos:
(1) Presenças
Pinturas e esculturas criadas com finalidades religiosas. A
representação nesse contexto é considerado como uma forma de transcender a
existência humana, colocando-o em uma situação além de sua realidade.
O cristianismo se destaca nesse núcleo, visto que é muito presente na
arte e na representação humana em alguns momentos históricos, como o
Renascentismo e a arte medieval.
Também são expostas algumas esculturas de culturas de origens africana
e sul-americana (mais especificamente da região do Peru).
(2) Retratos
Figuras humanas em contexto genealógico, social e político. Agrupa os
artistas que começam a se preocupar com poses, fisionomias, trajes e cenários,
buscando representar tipos humanos: o diplomata, o aristocrata, a dama, o
militar.
(3) Corpos
Expõe uma mudança de valores que ocorreu no século XIX, que promoveu
uma exploração de um modo diferente de todas as formas de representação que
surgiram antes. Estudo do nu, do retrato, do modelo vivo, da figura no ambiente
natural, doméstico ou urbano.
A representação do corpo feminino com certo erotismo sugere revolta
com a mentalidade repressiva da época, ou ainda inconformidade com o novo papel
da mulher na sociedade – não mais apenas um objeto de desejo.
(4) Ações
Figuras definidas por seu papel na ordem social, se estabelecendo conforme
as ações específicas que desempenham. Pinturas registram cenas coletivas,
trazendo abordagens sociais, religiosas ou pessoais.
(5) Simultaneidades
Obras realizadas entre a segunda metade do século XX e o início do
século XXI. Revelam a pluralidade de linguagens artísticas que surgem nesse
período.
A fotografia surge e promove reinvenção da arte figurativa.
A exposição, então,
entra numa lógica cronológica, na qual se busca evidenciar a evolução das artes
visuais com o passar dos séculos, com foco na figura humana e suas variadas
interpretações. Interessante ressaltar que a estrutura do CCBB, que geralmente
promove exposições lineares com um circuito bem definido, corrobora com esse
intuito. Apreciar as obras dá início a uma reflexão: a passagem do tempo não
necessariamente indica maior clareza e realismo da representação humana, esta se
atrela a um contexto, quase sempre decorrente da situação história e dos
acontecimentos importantes da época de produção, assim como acontece com a arte
no geral – e a arquitetura não fica de fora, apesar de ser menos representativa
e mais estática, com menos dinamismo.

















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