Pergunta criada em grupo sobre virtual e digital
"Até que ponto o
digital é um facilitador na construção de uma virtualidade?"
A pergunta acima
foi formulada pensando nos recursos digitais como instrumentos para a
realização de uma virtualidade, e em que ponto elas deixam de ser ajudantes
para ser completas destruidoras desse ambiente virtual que se pretende criar. A
discussão se iniciou a partir de uma série de ficção científica britânica
chamada “Black Mirror”, mais especificamente abordando o episódio “White
Christmas”, no qual existe uma tecnologia que transfere uma cópia da mente humana
para um dispositivo, que passa a controlar o cotidiano e as ações da residência
da pessoa que teve seus dados cerebrais copiados.
Cenas do episódio mencionado, nas quais o personagem Matt "programa" o dispositivo para desempenhar sua função
Pensa-se, então,
que nesse caso a ferramenta digital tinha um objetivo de construir uma relação
do ambiente com seu usuário buscando praticidade e interação, mas acaba
estabelecendo uma interatividade não-interativa, visto que ela não abre
possibilidade nenhuma. Não é preciso ir tão longe para encontrar exemplos desse
processo, que já acontece na contemporaneidade – celulares que aprendem com
nossos hábitos, sites e redes sociais que registram nossas preferências e
mostram apenas o que queremos ver. A verdade é que, buscando por meio da
tecnologia meios para ampliar a interação, os desenvolvedores acabam criando ferramentas
digitais cada vez mais complexas, que por sua vez estabelecem interatividades
cada vez mais fechadas, com possibilidades cada vez mais definidas e o usuário
cada vez mais imerso em uma falsa sensação de interação, que causa até certa
alienação.
Tendo isso em
vista, é preciso estudar maneiras do digital permanecer apenas um veículo ou uma
ferramenta. A complexificação das interfaces não está trazendo riqueza de
interação, então deve-se pensar primeiro no que é necessário e em como abrir as possibilidades para depois analisar e desenvolver como isso deve ser feito.


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